Crítica: Rose (2026)

 

"Rose": o surpreendente e reflexivo drama estrelado por Sandra Hüller.

Está sendo exibido no Festival do Rio 2026 o mais novo filme estrelado por Sandra Hüller, "Rose", e que surpresa foi esse filme para mim!

Ambientado no século XVII, o longa narra a história de Rose, uma mulher desfigurada pela guerra, que decide se disfarçar de homem para reivindicar uma propriedade numa vila protestante isolada.

Iniciando pelas atuações, Caro Braun foi uma grande surpresa. Ela entrega uma performance marcante e bem expressiva, e isso é justificado pela sua atuação e maquiagem escura e profunda, conseguindo representar muito bem os sentimentos da personagem no filme. Mas o destaque é Sandra Hüller, que começa de uma forma muito tímida, porém, com o decorrer da narrativa, brilha e impacta de uma forma bem emocionante, sem falar de sua boa maquiagem do seu rosto desfigurado.

A mensagem do longa é retratar o peso dos papéis de gênero e a pressão social, nesse caso, em cima das protagonistas. Rose, se disfarçando de homem, começa a sofrer muitas pressões por não se casar e ter um sucessor. O mesmo acontece com Suzanna, moça com a qual Rose é obrigada a casar. Ela é vendida, obrigada a se casar querendo ou não, algo muito comum na época. Além disso, o filme defende que as pessoas não deveriam ter que dar justificativas detalhadas ou explicações sobre a sua vulnerabilidade e própria existência. A aceitação deveria ser um direito básico.

O filme inteiramente em preto e branco e o belíssimo cenário ajudam muito no destaque da produção, aumentando ainda mais a sensação de estar em uma época mais antiga. A trilha sonora dramática e melancólica também ajuda na experiência.


Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a sua incrível iluminação e fotografia. "Rose" apresenta um alto contraste no rosto da protagonista, escondendo sua face parcialmente através da iluminação em diversos momentos, contribuindo para a sua ideia de dupla identidade. Além disso, o ótimo enquadramento nos personagens e cenários fazem da obra ainda mais bela.

O problema do filme é a demora de um impacto na trama e a falta de algumas explicações que acontecem em seu decorrer, as quais não posso dizer para não dar spoilers.

Resumindo, "Rose" é um filme que te ganha aos poucos. O que aparentemente não parecia ser algo tão chamativo se transforma em uma obra visualmente linda e emocionante. Talvez o mais interessante em "Rose" não seja o que o filme diz, mas aquilo que ele nos faz questionar.

Nota: ⭐️⭐️⭐️½ (Três e meio)

Autor: Davi Gouveia.

O filme está em exibição no Festival do Rio 2026 e deve chegar aos cinemas ou streaming em breve.


      Vídeo e imagens: Divulgação.

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